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Não vim do sertão

Não vim do sertão,
E de nenhum lugar pobre,
Onde há seca ou o mau,
Sou feito do cimento,
Dos prédios da metrópole,
Lá minha pele forjou-se,
Em fuligem e garoa fina,
Pelo martelo pesado da cidade,
E de lá comigo eu trouxe,
O gosto pelo som dos carros,
E das maquinas pesadas,
Que consertam todo dia,
Os milhões de buracos,
Que a chuva, no asfalto, pari !
De lá veio comigo,
A força dos milhões de corpos,
Apertando-se no metrô,
E aquela coisa tão peculiar,
De ruas repletas de estranhos,
Que nunca vão me conhecer !
Mas foi o interior com suas mãos leves,
Com o cheiro de terra e mato,
Que pintou consciência,
Nesta alma tão urbana,
E da terra úmida daqui,
Que trago em mim,
A liberdade de ser homem,
Mais que uma estatística qualquer,
Em um trabalho universitário.
Sou feito de dois mundos,
Com a amalgama das surpresas,
Que a vida prega em todos nós,
Fruto de um tempo,
Que muda as expectativas,
E transforma os caminhos,
Em trilhas ou grandes avenidas,
Tão somente de acordo,
Com uma conveniência qualquer,
Do bom humor do criador !