| 5 | Não vim do sertão Não vim do sertão, E de nenhum lugar pobre, Onde há seca ou o mau, Sou feito do cimento, Dos prédios da metrópole, Lá minha pele forjou-se, Em fuligem e garoa fina, Pelo martelo pesado da cidade, E de lá comigo eu trouxe, O gosto pelo som dos carros, E das maquinas pesadas, Que consertam todo dia, Os milhões de buracos, Que a chuva, no asfalto, pari ! De lá veio comigo, A força dos milhões de corpos, Apertando-se no metrô, E aquela coisa tão peculiar, De ruas repletas de estranhos, Que nunca vão me conhecer ! Mas foi o interior com suas mãos leves, Com o cheiro de terra e mato, Que pintou consciência, Nesta alma tão urbana, E da terra úmida daqui, Que trago em mim, A liberdade de ser homem, Mais que uma estatística qualquer, Em um trabalho universitário. Sou feito de dois mundos, Com a amalgama das surpresas, Que a vida prega em todos nós, Fruto de um tempo, Que muda as expectativas, E transforma os caminhos, Em trilhas ou grandes avenidas, Tão somente de acordo, Com uma conveniência qualquer, Do bom humor do criador ! |